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A verdadeira história do Baralho Lenormand: entre mito, magia e realidade | Casa de magia Vanadis

Jamile Nusse

26 de set. de 2025

O Baralho Lenormand sempre exerceu fascínio. Suas imagens simples, mas simbólicas, despertam a sensação de que carregam uma sabedoria ancestral. Por muito tempo, sua origem foi cercada de mistério, alimentando lendas e teorias que misturavam história, tradição popular e magia.


Entre essas narrativas, duas se destacaram: a de que teria sido criado por Mademoiselle Lenormand, a famosa cartomante francesa do século XVIII, ou de que seria um baralho cigano, transmitido por gerações de leitores de cartas. Ambas as versões, embora encantadoras, não correspondem à realidade documentada.


Hoje, graças a pesquisas históricas e exemplares preservados em museus, sabemos que o Lenormand nasceu de um jogo alemão chamado Das Spiel der Hoffnung (O Jogo da Esperança), criado por Johann Kaspar Hechtel em 1799.


Johann Kaspar Hechtel e o nascimento do Jogo da Esperança


Hechtel (1771–1799), um criativo burguês de Nuremberg, foi fabricante, escritor e inventor de jogos pedagógicos. Seu objetivo era unir diversão e aprendizado, criando passatempos que educassem enquanto entretinham.


No florescente ambiente cultural de Nuremberg, Hechtel publicou seu jogo mais conhecido: O Jogo da Esperança, que podia ser jogado de duas formas:


  1. Como tabuleiro de percurso, em que os participantes avançavam casas com dados.

  2. Como baralho de 36 cartas, cada uma ilustrada com símbolos claros e universais.


Esses símbolos:

Árvore (vida e ancestralidade)

Casa (segurança e lar) Cavaleiro (novidades e movimento)

Âncora (perseverança e estabilidade)

Anel (alianças e compromissos)


Perceba que no Jogo da Esperança estão os símbolos e a numeração do Baralho Lenormand que conhecemos hoje.
Perceba que no Jogo da Esperança estão os símbolos e a numeração do Baralho Lenormand que conhecemos hoje.

Apesar de não terem sido criados para a adivinhação, eram tão acessíveis e significativos que rapidamente ganharam vida própria.


Com o tempo, a prática popular transformou esse simples jogo em algo muito maior: um oráculo.


Lady Charlotte Schreiber e a preservação da memória


A história do Lenormand só pôde ser reconstituída graças a figuras como Lady Charlotte Schreiber (1812–1895), aristocrata inglesa apaixonada por colecionar baralhos de cartas.


Após sua morte, sua vasta coleção foi doada ao British Museum, em Londres. Entre os exemplares estava o próprio Das Spiel der Hoffnung, criado por Hechtel. Essa peça é uma das provas mais concretas da origem histórica do Lenormand.


Mas e a Mademoiselle Lenormand?


Embora não tenha criado o baralho, Marie Anne Adélaïde Lenormand (1772–1843) foi a cartomante mais célebre de sua época. Em Paris, atendeu figuras como Joséphine de Beauharnais, esposa de Napoleão Bonaparte, além de políticos e artistas renomados.


Sua fama foi tamanha que, após sua morte, editores franceses e alemães atribuíram seu nome a versões do Jogo da Esperança, relançadas como “Le Petit Lenormand”. A associação era estratégica: um baralho ligado à vidente mais famosa da Europa certamente teria sucesso comercial.


Assim, mesmo sem tê-lo usado ou criado, Mlle Lenormand emprestou sua "aura" mística ao oráculo, eternizando seu nome junto ao baralho.


E o mito cigano?


Outro elo cultural importante foi o contato com os povos ciganos, já tradicionalmente associados à leitura de cartas. Embora não tenham criado o Lenormand, foram fundamentais para sua difusão popular, contribuindo para que o oráculo fosse chamado até hoje de “Baralho Cigano”.


Essa apropriação cultural ajudou o Lenormand a ultrapassar fronteiras, viajando pela Europa e chegando à América Latina e ao Brasil, onde se integrou às tradições locais de cartomancia.


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O processo que transformou o Jogo da Esperança em oráculo foi, ao mesmo tempo, cultural e editorial. Os símbolos de Hechtel, já dotados de força universal, receberam significados divinatórios ao nome de Mlle Lenormand.


Nascia, assim, o Petit Lenormand, um baralho de 36 cartas que atravessou séculos, adaptando-se a culturas diversas sem perder sua essência simbólica.


Hoje, podemos afirmar com clareza:


O Lenormand nasceu em 1799, criado por Johann Kaspar Hechtel.


A coleção de Lady Charlotte Schreiber preservou exemplares fundamentais para comprovar essa origem.


A fama de Mlle Lenormand foi decisiva para a popularização do baralho, mesmo sem ela ter sido sua criadora.


Os povos ciganos não o criaram, mas tiveram papel essencial na sua difusão e popularidade.


O que temos, portanto, é um baralho que une história, mito e cultura popular. Um oráculo nascido de um jogo burguês, mas que atravessou fronteiras e séculos, tornando-se um dos instrumentos de adivinhação mais amados do mundo.


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