

Jamile Almeida Nusse
14 de jan. de 2025
A cartomancia é uma prática fascinante, mas é importante desmistificar alguns conceitos equivocados que a cercam. Em primeiro lugar, jogar cartas não é uma atividade estritamente espiritual. Embora esteja frequentemente associada ao campo da espiritualidade, a verdade é que a cartomancia exige estudo, dedicação e prática constante para ser dominada.
O mito da mediunidade obrigatória
Um mito muito comum que vejo por aí é a ideia de que é necessário ter mediunidade para jogar cartas, o que é apenas isso: um mito. Algumas pessoas também afirmam que a tarologia é voltada para o uso de estudos, enquanto a cartomancia seria exclusivamente para quem utiliza mediunidade. O mais impressionante é que essa ideia equivocada veio de uma cartomante — mais um mito que contribui para a desinformação. É triste ver profissionais propagando conceitos errados e confundindo ainda mais as pessoas.
Tanto a tarologia (o estudo do Tarot) quanto a cartomancia demandam muitos estudos e prática para alcançar uma leitura precisa. A menos que você seja altamente desenvolvido espiritualmente, não é possível realizar uma boa leitura sem esses requisitos. Aqui, estou falando de mediunidade verdadeira, não de falsos médiuns que afirmam ser algo que não são. Para um trabalho mais seguro e confiante, estude as cartas, aprenda a linguagem delas e entenda como elas se comunicam com você.
Responsabilidade no uso das cartas
A cartomancia deve ser uma ferramenta de orientação e ajuda, nunca de opressão ou medo. Infelizmente, é comum encontrar “profissionais” que se valem da mediunidade ou mesmo da interpretação das cartas para induzir o consulente ao desespero. Algumas das práticas prejudiciais incluem:
Difamação: Acusar terceiros de traição ou condutas inadequadas sem base fática, o que, além de antiético, é crime.
Exploração pelo medo: Criar um ambiente de terror com histórias de obsessores ou magias destrutivas, muitas vezes visando vender mais atendimentos ou rituais.
Um ponto que vejo com frequência, é o caso de cartomantes que mencionam ataques ou obsessores espirituais com base nas cartas. Tenho dois pontos importantes para discutir sobre isso. O primeiro é que muitas vezes essas afirmações são usadas como golpe, para assustar o consulente e incentivá-lo a realizar outros atendimentos muito mais caros. Essas pessoas usam o medo como ferramenta para garantir que o consulente volte.
O segundo ponto é: mesmo que realmente haja indícios de magia ou obsessores, a pergunta é: você vai resolver? Se a resposta for não, então você não deve falar diretamente sobre isso. Falando de obsessores e não resolvendo, você só deixa o consulente pior. Muitas vezes eles procuram um atendimento porque não estão bem, já estão aflitos, e você vai piorar isso? A consulta é pra ajudar e não gerar mais angústia. Em vez disso, oriente o consulente a buscar ajuda especializada ou indique atendimentos de magia, mas sem assustá-lo. Isso também pode evitar que a pessoa tente realizar algo sozinha, como uma quebra de magia em casa. Como Maga Iniciadora e professora de magia, posso afirmar que isso pode colocar a vida da pessoa em risco.
Agora, se você tem experiência e sabe resolver esse tipo de situação, por que não oferecer uma consulta que inclua o tratamento? Resolver o problema dentro do seu próprio atendimento torna sua consulta mais eficaz e memorável.
Outro ponto importante: não invente obsessores ou situações espirituais que não existem. É muito fácil dizer que você “encaminhou” algo que você mesmo criou, não é?
O verdadeiro papel do oraculista
O objetivo das cartas é trazer clareza, reflexão e orientação. Um bom oraculista respeita o livre-arbítrio e busca sempre empoderar o consulente, oferecendo caminhos possíveis em vez de sentenças definitivas ou alarmistas.
Se você utiliza sua mediunidade ou temas espirituais, como magias destrutivas ou obsessores, como parte do trabalho com as cartas, é essencial fazê-lo com responsabilidade e ética. Não há problema em integrar a espiritualidade à cartomancia, desde que isso seja feito de maneira a beneficiar quem busca sua ajuda.
A cartomancia, quando praticada com ética e responsabilidade, é uma ferramenta poderosa para auxiliar nas jornadas pessoais e espirituais. No entanto, é fundamental combater os abusos e desmistificar os mitos que podem afastar as pessoas do verdadeiro potencial dessa arte. Seja por meio do estudo ou da espiritualidade integrada da forma que já conversamos, o foco deve ser sempre o bem-estar e o desenvolvimento do consulente. Tome cuidado para não se passar por um "bobão médium". Seja diferente. Mostre que você é um profissional que trabalha com realizações concretas, não com fantasias. Demonstre seriedade e confiança, pois é isso que realmente faz diferença no seu trabalho.