

Jamile Nusse
31 de jul. de 2025
Na Casa de Magia Vanadis, honramos as tradições antigas como parte viva de nossa prática espiritual. Entre os caminhos magísticos mais antigos e potentes da espiritualidade nórdica, está o da maestria rúnica.
Mas afinal, o que é um mestre rúnico? Como atuava essa figura — e por que seu conhecimento ainda ecoa com poder até os dias de hoje?
Para compreender isso, primeiro é essencial conhecer as runas.
O que são Runas?
As runas são símbolos arquetípicos que formam um sistema de escrita utilizado pelos povos germânicos e escandinavos desde o século II d.C. — mas que vão muito além do simples ato de escrever. A palavra “runa” significa segredo, sussurro, mistério, e cada símbolo carrega consigo uma essência espiritual, associada a forças da natureza, divindades, conceitos filosóficos e estruturas da realidade.
O conjunto mais conhecido é o Futhark Antigo, composto por 24 runas, mas existem outros sistemas (como o Futhark Jovem e o Futhorc anglo-saxão). As runas eram usadas em inscrições, práticas magisticas, rituais de proteção, cura, maldição, adivinhação e conexão com o divino.
As runas e as distorções modernas
Nos séculos XX e XXI, as runas foram frequentemente utilizadas de forma distorcida e com fins políticos. Desde o uso por grupos nazistas, passando pelo “sinal da paz” nos anos 1960, até apropriações recentes por movimentos de extrema-direita, esses antigos símbolos acabaram associados a ideias que pouco têm a ver com seus significados originais.
Contudo, é essencial lembrar: as runas são antes de tudo símbolos sagrados, representantes de uma cultura arcaica, enraizada em valores eternos e transcendentes.
Por isso, os runólogos operativos contemporâneos — magos, terapeutas, estudiosos e buscadores espirituais — se dedicam a resgatar o verdadeiro espírito das runas e ativá-lo novamente na vida moderna.
O poder das runas hoje
As runas são poderosas e devem ser utilizadas com o propósito para o qual vieram a este mundo. Elas podem ser ferramentas tanto no campo magístico, quanto no campo intelectual e filosófico.
No campo magistico, as runas podem ser utilizadas para:
Transformação pessoal profunda
Expansão da consciência
Desenvolvimento psíquico
Cura energética e espiritual
Investigação do Wyrd (termo nórdico para o destino dinâmico e tecido da vida, como o "karma", conhecido atualmente)
Moldagem da realidade externa de acordo com a vontade interior
No campo intelectual, as runas servem como:
Estrutura simbólica para uma nova filosofia de vida
Modelo atemporal de pensamento
Sistema de metalinguagem que expressa verdades profundas e espirituais
Em ambos os caminhos, as runas permanecem vivas — como espelhos da alma e chaves do universo.
O que era um Mestre Rúnico?
O termo “mestre rúnico” (ou runamáðr, em nórdico antigo) não era apenas um título simbólico, mas um reconhecimento real dentro das antigas culturas germânicas e escandinavas. Quem detinha o domínio das runas era alguém que conversava com os deuses e decifrava os véus invisíveis da realidade.
Diferente de um simples conhecedor do alfabeto rúnico, o mestre rúnico era um praticante profundo da magia com runas, capaz de gravá-las em objetos, invocá-las em rituais e usá-las como instrumentos de cura, proteção, maldição e revelação.
As funções do Mestre Rúnico na antiguidade
Inscrição rúnica com propósito magístico
Gravar runas não era um ato neutro. O mestre rúnico sabia qual runa usar, em que ordem, com que intenção e em qual material. Espadas, amuletos, pedras, madeiras e até mesmo ossos eram usados como suporte magístico.
Divinação rúnica
Ele consultava os deuses ou o destino com as runas. Essa prática ancestral é o que hoje conhecemos como oraculismo rúnico, utilizado para aconselhamento, previsão ou diagnóstico espiritual.
Magia rúnica ativa
Além de interpretar, o mestre também ativava as runas em rituais, encantamentos e feitiços. Cada runa invoca forças específicas, como a proteção, a quebra de obstáculos ou o poder de manifestação.
Ser um mestre rúnico era um caminho iniciático
O conhecimento rúnico não era transmitido de forma banal. Era necessário passar por provações, experiências espirituais profundas e práticas constantes. Muitos mestres relatavam encontros com os deuses, especialmente com Odin, o Pai de Todos, que segundo a tradição recebeu as runas após se sacrificar por nove dias na Árvore do Mundo, Yggdrasill.
Tornar-se um mestre rúnico era ser iniciado nos mistérios ocultos do cosmos, entendendo os ciclos da vida, morte e renascimento — e sendo capaz de usar esse saber para transformar realidades.
As runas como linguagem magística
Muito além de símbolos de adivinhação, as runas permitiam que os mestres rúnicos se comunicassem com outras realidades. Quando desejavam provocar alguma alteração no ambiente, esses praticantes escreviam mensagens rúnicas em linguagem natural, muitas vezes com estrutura mágico-poética — verdadeiros feitiços gravados no tecido do mundo.
O ato de gravar runas em pedra, metal ou madeira era, por si só, um ritual. Entre os usos mais impressionantes estão:
Fórmulas de maldição, para proteger túmulos ou locais sagrados
Encantamentos que mantinham os mortos no túmulo, pois os draugar (mortos-vivos) eram considerados ameaças reais na Escandinávia antiga
Esses cadáveres reanimados não eram apenas mito: acreditava-se que podiam ser "despertados" por meio de magia e enviados contra a comunidade. Proteger-se deles era parte do dever do mestre rúnico.
O caso da Pedra de Björketorp (c. 650 d.C)
Um dos registros mais poderosos da magia rúnica como ferramenta jurídica e espiritual é a Pedra de Björketorp, localizada no sul da Suécia. Ela integra um arranjo triangular de pedras — possivelmente um local de leis e rituais, já que nenhuma sepultura foi encontrada ali.
Sua inscrição afirma:
“Profecia da destruição! Uma sequência de runas brilhantes escondi aqui, runas carregadas de poder mágico. Com perversidade e sem descanso, do lado de fora — uma morte traiçoeira — a quem quebrar isto.”
Não havia juiz. Não havia carrasco. A sentença era executada exclusivamente por meios magisticos.
Mesmo que o possível transgressor não soubesse ler, o poder das runas comunicava a maldição diretamente à realidade — como um feitiço vivo. Não por acaso, a Pedra de Björketorp continua intacta até hoje.
O chamado dos Antigos Ecos
Muitos hoje sentem o chamado das runas sem entender bem por quê.
Na Casa de Magia Vanadis, honramos esse chamado com seriedade, ética e reverência. Se as runas sussurram ao seu espírito, talvez você esteja pronto para ouvir — e quem sabe, tornar-se também um guardião de mistérios.
No Grau de Odin, dentro do sistema da M.U., trabalhamos com as runas, os mistérios rúnicos e realizamos magias com elas. Conheça o sistema e os Graus de Alta Magia. Torne-se um mago da M.U. e seja um trabalhador divino.